As Origens


Localização Geográfica
A aldeia de Algodres fica situada a 15 quilometros a Noroeste de Figueira de Castelo Rodrigo. Fica situada a dois quilometros da margem direita do Rio Côa e 16 quilometros da margem esquerda do Rio Douro. Tem como freguesias limitrofes, Almendra (Vila Nova Foz Côa) a Norte, Vale de Afonsinho a Sul, Vilar de Amargo a Nascente, Chãs (Vila Nova de Foz Côa) e Cidadelha (Pinhel) a Poente.
 
Vestigios Romanos e Árabes
Remontando a ocupação humana nesta localidade a épocas pré-históricas, Algodres acolheu romanos, visigodos e mouros como atesta a existência, no alto do monte de Santa Bárbara a 554 metros de altitude, de vistígios de um castro lusitano, posteriormente romanizado, instalando-se os seus habitantes na zona plana, que ficava próxima, fundando aí a actual Freguesia. O actual topónimo desta freguesia está directamente relacionado com a ocupação árabe desta região, pois supõe-se que derive de "Algodes", cuja raíz está no nome "Algodrons" corruptela do étimo "Alcoton".

A Prof.ª Dr.ª Maria Jesus Viquera Molins, da Universidade Complutense de Madrid, na sua conferência intitulada "En Torno a Riba Coa y al-Andaluz", inserta nas Actas do Congresso comemorativo dos setecentos anos do Tratado de Alcanices (p. 147), realizado em Figueira de Castelo Rodrigo, faz-lhe a seguinte brevíssima referência: "Algodres" significa "Las Lagunas": [... se efectuarmos um primeiro apanhado, no vale do Côa e no seu termo próximo, podemos localizar toponímia árabe: 'Almeida', (de 'al - maida', à mesa' ou 'meseta'); 'Arrifana', ('arrayan', de 'al - rayan'); 'Caria', (de 'qarya', 'alqueria'); 'Almofala', (de 'al - muhalla', 'o acampamento'). "Algodres", bien cerca de onde ahora estamos, significa Las Lagunas"].

O orago da freguesia é Nossa Senhora da Alagoa, como diz o povo, e que nela existe um sítio denominado Alagoas, por sinal rico em água, onde existe uma fonte pública com o mesmo nome - fonte das alagoas - e se situava, e ainda se situará, o poço do Martim Cravo que, antes de haver distribuição domiciliária de água canalizada, abastecia os chafarizes da freguesia.
Os sinais de romanização encontram-se aqui em abundância, como a mutiliadada e hoje incaracteristica capela românica da Misericórdia, ou de Santa Cruz, a fonte Cabeço com armas reais portuguesas invertidas, sarcófagos antropomórficos que novas construcções nas eiras de S. Sebastião avilitam, o ainda bem conservado da "Pedra da Cova da Moira" - às Quadrelas - e tantos outros espalhados pelo ribeiro da Carrasqueira ou ribeirinha de Algodres, onde se julga ter existido uma necrópole.
 
Formação da freguesia
Embora não existam muitos dados sobre Algodres, existem alguns registos que documentam a história de Almendra, em cujo território se encontrava esta população. Assim em 960, Algodres pertencia a D. Chamoa, sobrinha de Ramiro II, rei de Leão, que tendo morrido sem possuir descendência deixou todo o território de Almendra a sua tia, a condessa Mumadona, fundadora da cidade de Guimarães, berço da nossa nacionalidade e onde nasceu D. Afonso Henriques, a quem as pediu para as vender "para salvação da sua alma".

Mas nem todas as terras foram vendidas, pois Algodres, entre outras povoações de Almendra, foi supostamente doada ao Mosteiro de Santa Maria de Aguiar. Mais tarde Algodres entra no rol de propriedades da Ordem Militar de S. Julião de Pereiro, por bula emitida pelo Papa Lúcio III.

A paróquia de Santa Maria de Algodres, é das mais antigas do termo de Castelo Rodrigo, e deve ter sido instituída sob a dominação leonesa - o que é o mesmo que dizer que a fundação da sua igreja está, pelo menos, noa princípios da nacionalidade (séculos XII - XIII), se não antes. Seja como for, o Censual do Cabido Lamecense de cerca de 1530 conta esta paróquia no título das igrejas de Ribacôa. O padre D. Joaquim de Azevedo, nos meados do século XVIII, escreveu desta freguesia:

"Termo de Castelo Rodrigo em Ribacôa, foi bispado de Cidade Rodrigo e de Lamego; passou ao de Pinhel, como da comarca de Pinhel à de Trancoso. Tem terra muito fértil, de cujos lameiros formam as águas um ribeiro, que tem ponte de cantaria. Produz nabos mui gostosos, muito trigo, centeio, vinho e algum azeite. No meio do povo está uma atalaia, que em tempo de guerra se fortifica, e junto da igreja um reduto. É abadia de concurso, mitra e papa. Titular N.ª S.ª da Lagoa".

Há na igreja duas capelas particulares, N.ª S.ª da Anunciação e S. João de Brito. No da Senhora, em 1720, se colocou a primeira imagem de vulto que se viu em Ribacôa, com fama de muitos milagres. Tem capelas de Santa Cruz e Santa Bárbara e outras. Foi sempre do termo de Castelo Rodrigo e participou dos seus costumes e foros.
 
Na altura da fundação da nacionalidade Algodres já existia como agregado habitacional, tendo sido repovoado durante o século X. Esta freguesia só pertence ao concelho comarca e arciprestado de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito e diocese da Guarda e província da Beira Alta desde 24 de Outubro de 1855. Até essa data pertencia juntamente com a freguesia de Vilar de Amargo, ao concelho de Almendra. Este concelho pertencia à comarca da Mêda e bispado de Pinhel sendo a sua extinção ditada por Decreto. Pela supressão do concelho de Almendra, por Decreto de 24 de Outubro de 1855, a que pertencia, Algodres passou a fazer parte da circunscrição concelhia de Figueira de Castelo Rodrigo, juntamente com a vizinha freguesia de Vilar de Amargo.

Segundo um manuscrito da Colecção Pombalina, a igreja de Santa Maria de Algodres, tinha o rendimento de 30 libras, e os bispos da diocese da guarda exerciam o direito de padroado e apresentação nesta freguesia. Foi abadia de concurso, mitra e papa. No ano de 1385, entre outras, pertencia ao termo de Castelo Rodrigo a igreja de Algodres.

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Resistência ao inimigo

Quanto ao papel relevante de Algodres no seu passado histórico, não há documentos bastantes que a ele unicamente se refiram, porém, em 1751, o Pe. Luís Cardoso afirma que no centro da localidade existiu um castelo, onde no século passado se poderiam ver os restos do reduto contruido para proteger as pessoas e bens das investidas dos espanhóis, nossos inimigos de sempre. Em 1873, Pinho Leal diz-nos que "tem uma atalaia e um reduto".

Do castelo existia nos finais do século XVIII dentro da povoação, no local onde a toponímia ainda hoje dá pelo nome de Castelo, os vestígios de uma muralha de pedra miúda, quase no meio do povo e que se guarnecia no tempo de guerra tendo um forte reduto à volta da igreja que fica perto da ponte.

 
Redefinição de fronteiras
Pertenceu ao bispado de Viseu, depois ao de Caliábria, até à criação do de Cidade Rodrigo - sucessor do bispado de Caliábria - para o qual se trasnferiu com a extinção desta diocese visigótica; seguidamente passou ao de Lamego, em 1404 durante o reinado de D. João I, depois para o de Pinhel com a elevação deste bispado no reinado de D.José I por breve de Clemente XIV em 10 de Junho de 1770. Finalmente passou para o bispado da Guarda - a que ainda pertence actualmente - a partir de 30 de Setembre de 1891 pela Bula Gravissima Christi Eclesiam de Leão XIII que extinguiu o bispado de Pinhel, a instâncias de El-Rei D. Luís.
 

Segundo um manuscrito da Colecção Pombalina, a igreja de Santa Maria de Algodres, tinha o rendimento de 30 libras, e os bispos da diocese da guarda exerciam o direito de padroado e apresentação nesta freguesia. Foi abadia de concurso, mitra e papa. No ano de 1385, entre outras, pertencia ao termo de Castelo Rodrigo a igreja de Algodres.

 
Movimento Demográfico
O movimento da sua população é indicado pelos seguintes números:
Anos Habitantes Observações
1572 135 Cadastro da população do Reino
1864 651 Estatistica de Portugal
1878 746 Censo de 1878
1890 895 Censo da população do Reino
1900 958 Censo da população de Portugal
1910 1.046 Censo da população de Portugal
1920 837Censo da população de Portugal
1930 756 Censo da população de Portugal
1940 943Recenseamento Geral da População
1950 962 Recenseamento Geral da População
1960 844 Recenseamento Geral da População
1970 631 Recenseamento Geral da População
1980 573 Recenseamento Geral da População
1991 470 Recenseamento Geral da População
2001 315 Recenseamento Geral da População

O Movimento demográfico, como se seduz nos números apontados, mostra-se de mau cariz, o que aliás, acontece com todas as freguesias. É intuitivo que tal facto se deve ao fenómeno da emigração mas, por ter carácter concelhio, tratar-se-á dele em lugar próprio. Em 1708 teria 210 vizinhos, segundo 2º Tomo da «Corografia Portuguesa» de Pe. António Carvalho da Costa, e em 1758 cerca de 150 a 452 pessoas.

De salientar que nos últimos dez anos se notou um decréscimo da população da freguesia, visto que nos Censos 91 o número de pessoas residentes em Algodres era de 470, enquanto nos Censos 2001 já era de 315. O número de eleitores recenseados é de 372.

 
Factos de interesse relevante
- Em 28 de Maio de 1758, o Abade de Algodres, Paulo Cabral Gouveia, através de um questionário que lhe foi enviado, respondeu aos quesitos de Sua Magestade Fidelíssima que os frutos de maior abundância eram o centeio, trigo, azeite e o vinho, que chegou a ser em tal quantidade que ia para a Guarda e que por isso se chamava Algodres dos Vinhos. Tem uma ribeira que nasce no lugar da Escusa e desagua no Côa.

- Em 14 de Agosto de 1881, porque tinha 214 fogos, com 46 crianças do sexo feminino de 6 a 12 anos, a Junta de Freguesia representada por Júlio António Peixote, Rosalino da Soledade Beato, José da Anunciação Patrício e outros, requereu a criação da respectiva escola primária. Este pedido veio a ser deferido pela Câmara Municipal de então, em 31 do mesmo mês.

- Na sessão de 31 de Dezembro de 1890, foi deliberado autorizar, no Orçamento da Junta de Paróquia para 1891, a despesa de 569.365 reis com destino à construção de uma escola.

- Na sessão de 13 de Agosto de 1913, foi resolvido construir o ramal da estrada, ligando esta localidade à estrada nacional nº 90. O 1º lanço foi posto em arrematação em 17 de Setembro de 1916, com a base de licitação de 149$47.

- Em 1 de Fevereiro de 1917, o construtor deste ramal oficiou à Câmara para que aceitasse a obra, visto ela se encontrar completa.

- Tem energia eléctrica a partir de 1961.

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